
A Fundação Rio Verde recebeu, nesta semana, um grupo de empresários argentinos que atuam nos segmentos de produtos biológicos e tecnologias voltadas ao agronegócio. A visita integra uma missão técnica ao estado de Mato Grosso, organizada com o apoio da Embaixada da Argentina no Brasil, e reforça o posicionamento da instituição como um dos principais polos de pesquisa aplicada e inovação do país.
Durante a agenda em Lucas do Rio Verde, o diretor de comunicação da Fundação, Rangel Portela, apresentou a estrutura da entidade, com destaque para os laboratórios, campos experimentais e as atividades de pesquisa e desenvolvimento conduzidas ao longo dos anos. A proposta central da visita foi promover a troca de conhecimentos e identificar oportunidades concretas de cooperação internacional, especialmente na validação de tecnologias e produtos desenvolvidos pelas empresas estrangeiras.
“A Fundação Rio Verde, inclusive, colocou sua estrutura à disposição para futuras parcerias, oferecendo suporte técnico e científico para ensaios e adaptações de soluções ao contexto do cerrado mato-grossense”, comentou Portela.
Troca de conhecimento e novas oportunidades para o agro
Para o presidente da Fundação Rio Verde, Joci Piccini, a presença da comitiva argentina representa um momento estratégico para o fortalecimento do agronegócio regional e internacional. “É um momento importante receber empresários argentinos, compartilhar experiências e, de repente, até atrair investimentos para Lucas do Rio Verde. Essa troca de ideias sobre biotecnologia e novas tecnologias sempre agrega muito”, destacou.
Piccini também ressaltou que o intercâmbio pode contribuir diretamente para enfrentar desafios atuais do setor. “Vivemos um momento em que, muitas vezes, há dificuldades até no acesso a defensivos, por questões globais. Então, essa troca de conhecimento pode trazer soluções, implementar práticas e tecnologias que eles utilizam lá e que podem melhorar ainda mais nossa produção aqui”, afirmou.
Segundo ele, o processo é de mão dupla. “Assim como podemos absorver tecnologias deles, também temos muito a oferecer. O produtor daqui desenvolveu soluções importantes, adaptadas à nossa realidade. Esse intercâmbio permite que ambos evoluam, produzindo mais com menos e beneficiando toda a sociedade”, completou.
O presidente ainda destacou o papel da Fundação como ambiente propício para esse tipo de avanço. “A Fundação é um centro de tecnologia, onde identificamos problemas e também desenvolvemos soluções. Esse tipo de aproximação amplia o conhecimento e contribui para uma agricultura mais eficiente, que beneficia não só o Brasil, mas o mundo.”
Missão fortalece aproximação entre Mato Grosso e Argentina
O diplomata da Seção Econômica e Comercial da Embaixada da Argentina, Joaquin Coniglio, explicou que a iniciativa faz parte de um movimento iniciado ainda em 2024 para estreitar relações com Mato Grosso, especialmente no setor agropecuário.
“Nós começamos esse trabalho a partir de um contato com o Governo do Estado e identificamos no agro uma grande oportunidade de aproximação. Desde então, promovemos visitas de grupos brasileiros à Argentina e também de empresários argentinos ao Mato Grosso”, relatou.
Nesta missão, 11 empresas argentinas do setor de Agritec participam das agendas técnicas, apresentando soluções, pesquisas e tecnologias voltadas ao aumento de produtividade e eficiência no campo. A comitiva já passou por eventos como o Show Safra Mato Grosso, em Lucas do Rio Verde.
Coniglio destacou o potencial da região norte de Mato Grosso. “É uma região de crescimento econômico muito forte, com agricultores que buscam constantemente novas tecnologias para melhorar suas margens. Essa é uma realidade que também enfrentamos na Argentina, o que cria uma conexão natural entre os dois contextos”, afirmou.
Entusiasmo e perspectivas de cooperação
De acordo com o diplomata, a receptividade dos empresários argentinos tem sido bastante positiva. “A reação é de muito entusiasmo. Eles estão impressionados com o que têm visto aqui. Apesar das diferenças nos sistemas produtivos, os desafios no campo são muito semelhantes, o que abre espaço para uma construção conjunta de soluções”, explicou.
Ele pondera, no entanto, que o avanço dessas parcerias exige tempo e validação técnica. “Na agricultura, tudo tem seu tempo. É preciso testar, validar, entender o que funciona em cada realidade. Mas muitas dessas tecnologias já estão consolidadas na Argentina e algumas já passaram por testes no Brasil, o que acelera esse processo”, disse.
A expectativa, segundo Coniglio, é que esse seja o início de relações mais duradouras. “Todo processo leva tempo, mas é preciso começar. E acreditamos que este é o momento certo para avançar na construção desses vínculos, que podem ser muito benéficos para ambos os lados.”
A visita reforça o protagonismo da Fundação Rio Verde como ponte entre conhecimento, tecnologia e desenvolvimento sustentável, ampliando horizontes e consolidando Lucas do Rio Verde como referência internacional no agronegócio.